No dia Internacional da Mulher, a Funarbe presta homenagem à pesquisadora da Embrapa

Hoje celebramos o dia Internacional da Mulher, momento no qual prestamos nossa homenagem à luta das mulheres pela igualdade de direitos.
O ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher, e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, com a finalidade de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas
O Dia Internacional da Mulher existe, enquanto data comemorativa, como resultado da luta das mulheres por meio de manifestações, greves, comitês etc. Essa mobilização política, ao longo do século XX, deu importância para o 8 de março como um momento de reflexão e de luta. A construção dessa data está relacionada a uma sucessão de acontecimentos.
E não poderíamos deixar de prestar nossa Homenagem às mulheres que brilham diariamente no cenário científico com grandes contribuições à nossa sociedade, como a Dra. Rejane Schaefer, pesquisadora da Embrapa e orgulhosamente cliente Funarbe.
Batemos um papo bem legal com a Pesquisadora sobre o assunto, confira:

1 – Como você enxerga a luta das mulheres no cenário científico? Existe igualdade?

“As mulheres estão cada vez mais conquistando este espaço. O passado mostra o quanto as mulheres tiveram que enfrentar preconceitos de ordem cultural, e até mesmo leis que impediam o ingresso às instituições de ensino. As mulheres lutaram contra estas exclusões e deixaram um legado importante nas Ciências Exatas, na Medicina, na Filosofia e nas Ciências Sociais. Hoje, nós vemos as mulheres ocupando os laboratórios de pesquisa, as salas de aula, em cursos de graduação e pós-graduação, e os centros de pesquisa. No Brasil, de acordo com dados do CNPq, as mulheres são hoje maioria em todos os níveis de ensino e também entre os bolsistas de iniciação científica, mestrado e doutorado. Porém, os dados mostram que à medida em que a carreira avança, as disparidades começam a aparecer, principalmente quando são observados o número de mulheres que são líderes de centros de pesquisa, docentes universitários e bolsistas Sênior de produtividade em pesquisa (PQ).”

2 – O que você acha que pode ser feito para termos mais mulheres na ciência?

“É importante receber incentivos desde a educação básica, apoio tanto da família como da escola, estimulando o pensamento científico e deixando de lado a questão do gênero, uma vez que não existe gênero definido nas ciências, e as mulheres têm plenas condições de serem bem-sucedidas em qualquer área que escolherem para se dedicar”.

3- Conte-nos um pouco da sua trajetória, como foi a sua inserção na pesquisa científica?

“A minha inserção na pesquisa começou logo após a graduação em medicina veterinária. Eu comecei a trabalhar como bolsista de aperfeiçoamento no Instituto de Pesquisa Veterinária Desidério Finamor (IPVDF) em Eldorado do Sul, RS. Imediatamente fui integrada em um grupo onde havia alunos de graduação e pós-graduação e um orientador apaixonado pela pesquisa, que nos estimulava a trazer respostas para os problemas enfrentados na área de sanidade de bovinos, com foco em doenças infecciosas causadas por vírus. Foram quase 10 anos, entre o aperfeiçoamento, mestrado e doutorado, e tive a oportunidade de realizar doutorado sandwich no ID-Lelystad, um centro de pesquisa importante em sanidade animal localizado na Holanda. Ainda durante o doutorado, eu prestei concurso para o cargo de pesquisador na Embrapa, fui aprovada e contratada pela Embrapa Suínos e Aves em 2003, onde permaneço até hoje”.

4 – Alguma mulher inspirou você a seguir a carreira de pesquisa? Como vê a importância da representatividade nesse meio?

“Durante o meu período na pós-graduação, os líderes de projeto com quem tive contato eram homens, mas professoras na graduação, e também colegas na pós foram grandes estimuladoras e parceiras durante a minha trajetória. Além disso, na vida pessoal, sempre tive a minha volta mulheres independentes, batalhadoras e que sempre me apoiaram. Acredito que a presença de mulheres que se destacam na pesquisa é importante por servir de modelo às mulheres da nova geração, principalmente em áreas consideradas como sendo majoritariamente masculinas como as ciências exatas e ciências da computação”.

5 – Sabemos que existem muitas mulheres realizando grandes conquistas e contribuindo significativamente para o desenvolvimento da ciência em todo país, como você por exemplo. Fale um pouco sobre as suas pesquisas/resultados e suas contribuições.

“Inicialmente, eu cursei medicina veterinária na UFRGS em Porto Alegre, RS e concluí o curso em 1992. No ano seguinte eu entrei para o grupo de pesquisa em virologia veterinária no IPVDF, no início, como bolsista de aperfeiçoamento, e depois de alguns anos como aluna de mestrado e doutorado em Ciências Veterinárias, com ênfase em virologia animal. Durante o doutorado “sandwich” na Holanda (ex-ID-Lelystad, hoje Wageningen Institute), desenvolvi projeto de pesquisa para a produção de vetores virais para uso como vacina em bovinos. Sempre me interessei pelo estudo de doenças virais em animais de produção com impacto em saúde pública. Durante a pós-graduação o meu trabalho tinha como foco o vírus da raiva em bovinos e outras espécies domésticas com ênfase na caracterização antigênica e molecular do vírus da raiva. Ingressei na Embrapa em 2003, onde inicialmente trabalhei em projetos que investigavam doenças virais importantes na produção de suínos, como a doença de Aujeszky, hoje erradicada em SC, e logo me interessei por estudar uma doença pouco investigada no Brasil naquela época, a influenza suína. Assim como o vírus da raiva, a influenza é uma zoonose, a qual tem impacto em saúde pública uma vez que a transmissão viral interespécies (humano-suíno) pode ocorrer, contribuindo para o aumento da diversidade genética dos vírus que circulam em suínos. Nos projetos realizados desde então foram desenvolvidas novas metodologias para o diagnóstico molecular do vírus influenza A, além de isolamento viral e sequenciamento completo dos genomas virais. A pesquisa tem como objetivo avaliar a evolução genética e antigênica dos vírus influenza que circulam em suínos no Brasil e a sua relação com o vírus da influenza humana, visando avaliar o risco de transmissão interespécies, e também para desenvolver abordagens de vacinação racional em suínos.”

6 – Você acha que a Funarbe auxilia e impacta em suas pesquisas? Como?

A Funarbe foi fundamental na etapa de tramitação do contrato de cooperação técnica entre a Embrapa e a instituição de pesquisa nos Estados Unidos. Atualmente, administra os recursos financeiros para o projeto enviados pela instituição americana e realiza a compra dos insumos, contratação de pessoal para apoio ao projeto e elaboração de relatórios financeiros. O apoio na realização destas atividades permite que a equipe do projeto fique focada apenas nas atividades de pesquisa.

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