Iniciativa une ciência e saberes ancestrais para fortalecer o protagonismo regional e transformar cadeias produtivas, marcando o lançamento do PNDBio em Brasília.
O Brasil deu um passo histórico para consolidar a biodiversidade como o principal ativo de sua economia. No dia 1º de abril, em Brasília, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), marcando uma nova era de inovação e sustentabilidade para o país por meio de uma estratégia que posiciona a bioeconomia como motor de inovação, geração de renda e conservação ambiental pelos próximos 10 anos.

Nesse cenário estratégico, a Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) ganham protagonismo ao viabilizar o projeto “Desafios da Amazônia”. A iniciativa, que integra o programa Amazônia+10, recebeu um aporte expressivo de R$ 181,3 milhões via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Amazônia para viabilizar a proposta que busca transformar a realidade da região.

Protagonismo regional e conhecimento ancestral
Durante o evento, o presidente do CONFAP, Dr. Marcel Botelho, enfatizou que o desenvolvimento da Amazônia exige modelos próprios e respeitosos à sua identidade, com soluções construídas a partir de sua realidade local.
“Os modelos que existem hoje no mundo não são viáveis para a Amazônia. O Amazônia+10 surge para trazer o respeito ao conhecimento local, ao conhecimento ancestral e ao protagonismo de uma região que tem que participar do seu próprio desenvolvimento”, destacou Marcel Botelho.
Dessa forma, a fala evidencia uma mudança de paradigma. Em vez de importar modelos prontos, o projeto aposta em soluções desenvolvidas com quem vive e conhece o território. Esse direcionamento fortalece a autonomia regional e aumenta a efetividade das ações.
Ainda, Botelho também destacou a dimensão do novo investimento. Segundo ele, uma única iniciativa agora praticamente dobra o volume já aplicado anteriormente pelo programa Amazônia+10, o que representa um sinal claro de amadurecimento e prioridade estratégica.
Ciência e saberes tradicionais: a receita para a inovação
projeto Desafios da Amazônia vai além da pesquisa acadêmica tradicional, o foco não está apenas em laboratórios, mas no “pé no chão”. Nesse contexto, a iniciativa promove a integração entre a ciência acadêmica das universidades e instituições científicas com os saberes das populações locais, focando em cadeias produtivas vitais como as do açaí, babaçu e castanha.
A Funarbe desempenha um papel fundamental no apoio a este ecossistema de inovação, que prevê:
- O fortalecimento de ao menos 60 Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs);
- O apoio a 60 Organizações Socioprodutivas (OSPs);
- O impacto direto em 10 a 15 cadeias da sociobioeconomia em toda a Amazônia Legal;
PNDBio: Um Marco para o Desenvolvimento Sustentável

O lançamento do PNDBio, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, estabeleceu 21 metas e 185 ações estratégicas para os próximos 10 anos. O objetivo é claro: gerar emprego e renda por meio do uso sustentável dos recursos biológicos, valorizando os povos indígenas e comunidades tradicionais.
Como lembrou Marcel Botelho, os desafios da região são complexos e envolvem desde questões de floresta até problemas urbanos nas grandes metrópoles amazônicas. Por isso, soluções coletivas, como o acesso à energia em pequenas comunidades, são partes essenciais desse novo modelo de desenvolvimento.
Compromisso com o desenvolvimento da bioeconomia
Portanto, com o projeto Desafios da Amazônia, a Funarbe e o CONFAP reafirmam seu compromisso com uma ciência aplicada, conectada à sociedade e orientada para resultados concretos para quem vive e protege a Amazônia. Enquanto novas pesquisas são fomentadas, a iniciativa gera transformações, promovendo o desenvolvimento sustentável e valorizando os saberes locais.
Assim, a bioeconomia brasileira avança. E, com ela, cresce também a oportunidade de construir um futuro mais equilibrado, inovador e sustentável.

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