Projeto do IFRO, gerenciado pela Funarbe, investe em pesquisa, formação de produtores e tecnologia para desenvolver a cadeia produtiva do cacau no estado.

O cacau de Rondônia tem conquistado espaço entre os melhores do Brasil. Por trás desse crescimento, iniciativas que unem pesquisa, inovação e capacitação têm ajudado a fortalecer toda a cadeia produtiva. Nesse contexto, a Escola do Chocolate é um dos projetos de destaque que vem se consolidando como referência para o desenvolvimento do setor no estado. O projeto, fruto da parceria entre o Instituto Federal de Rondônia (IFRO) e a Funarbe, revitaliza a lavoura cacaueira em Rondônia. Dessa forma, unindo sustentabilidade, tecnologia e fomento econômico.
Um centro de referência para o cacau
O projeto nasceu em 2023, no Campus Jaru do IFRO, inicialmente como uma proposta para capacitar os produtores locais. No entanto, a visão dos coordenadores e o apoio de parceiros ampliaram a meta. Logo, o objetivo é transformar a região em um centro de referência nacional para o cacau.
Atualmente, o projeto gerencia cerca de R$ 18 milhões. Com isso, os recursos financiam pesquisas científicas e preveem a construção de uma agroindústria de 750 metros quadrados, projetada para ser o coração do processamento de chocolate de qualidade em Rondônia. Nessa estrutura, serão realizados cursos, pesquisas, análises laboratoriais e o processamento do cacau até a produção de chocolate.
Além da unidade em Jaru, o projeto também envolve o Campus Ji-Paraná do IFRO, responsável pelas pesquisas relacionadas à produção de mudas e ao desenvolvimento de novas tecnologias para a cultura do cacau.
Como a Escola do Chocolate funciona na prática

O projeto atua em três frentes principais para fortalecer toda a cadeia produtiva:
- Capacitação e formação: A Escola oferece cursos que vão desde a classificação das amêndoas até a produção de chocolate refinado, atendendo associações, assentamentos rurais e empreendedores.
- Produção de mudas e pesquisa: Em 2026, o projeto já entregou 210 mil mudas de cacau de alta qualidade (variedade CCN51) para 200 famílias, com meta de alcançar 500 mil doações. Além disso, desenvolve pesquisas para reduzir pela metade o tempo de produção das mudas.
- Apoio técnico: Equipes realizam visitas às propriedades e fazem análises de solo em laboratórios credenciados, garantindo que o produtor prepare a terra de forma correta para receber as plantas.


O papel estratégico da Funarbe na gestão
Para Renato Delmonico, coordenador-geral do projeto, a parceria com a Funarbe é o que garante a viabilidade das ações a longo prazo.

Renato Delmonico | Coordenador-geral da Escola do Chocolate
“A Funarbe tem nos ajudado em todas as fases (…), é o grande braço que consegue subsidiar todas essas ações, concretizar e facilitar os processos de compra e licitação.”
Como responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto, a Funarbe viabiliza desde a contratação de bolsistas até processos de licitação, aquisição de equipamentos, compra de insumos, contratação de serviços, organização das viagens técnicas e execução do orçamento. Ainda, Renato complementa sobre a superação de barreiras burocráticas por meio do apoio da instituição:
“Através da Fundação, a gente conseguiu pensar em um projeto não somente pontual, mas muito maior. Se uma instituição pública não usa o orçamento em um ano, ela o perde; com a Funarbe, garantimos a execução plurianual.”
Resultados que transformam vidas

Como resultado, os impactos do projeto já aparecem na prática. Atualmente, Rondônia se destaca em concursos nacionais de qualidade do cacau, e o projeto conquistou o 3º lugar nacional em um concurso do MEC voltado à sustentabilidade para a COP30.
Além disso, de acordo com Renato, uma produtora rural de Cacaulândia recuperou uma lavoura que estava abandonada após participar de um curso da Escola do Chocolate. Hoje, ela possui uma agroindústria familiar, comercializa sua própria marca de chocolates e participa de feiras no estado.
Ainda, outro destaque do projeto é o incentivo à renovação das lavouras de cacau em Rondônia. Em 2026, a Escola está concluindo a entrega de 210 mil mudas de cacau para cerca de 200 famílias de cinco municípios (Ariquemes, Cacoal, Jaru, Governador Jorge Teixeira e Nova União). Nesse cenário, cada família recebe 1.111 mudas, quantidade suficiente para implantar um hectare de cultivo.


No entanto, o apoio vai além da distribuição das plantas. Antes das entregas, equipes do projeto visitam cada propriedade. Nesse momento, realizam análises de solo, orientam os produtores e acompanham todo o processo de implantação da nova lavoura. Com isso, a expectativa é ampliar esse número ainda em 2026, com uma nova etapa que prevê a distribuição de mais de 300 mil mudas.
Cultivando o futuro do cacau

Portanto, os próximos passos incluem a finalização da agroindústria moderna e a construção de um viveiro automatizado com laboratório próprio. A Escola do Chocolate também mira parcerias internacionais, como um projeto com a ONU Mulheres para apoiar produtoras em situação de vulnerabilidade.
Assim, com a gestão da Funarbe, o projeto prova que a união entre conhecimento técnico e agilidade administrativa pode alavancar o desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau em Rondônia.
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