Iniciativa da UFV une ensino, pesquisa e extensão para promover atendimento integral, educação em saúde e autonomia para mulheres e pessoas com útero.
O acesso à informação confiável pode transformar vidas. Nesse sentido, nasceu o Projeto Saúde da Mulher (PSM), com o objetivo de disseminar o conhecimento técnico e científico sobre a saúde feminina por meio de uma linguagem acessível. Dessa forma, a ação extensionista do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Viçosa (UFV) promove atendimento humanizado, educação em saúde e produção de conhecimento científico voltado à população.
A Funarbe contribui diretamente com esta iniciativa ao realizar a gestão financeira do projeto. Assim, com esse suporte, a equipe consegue direcionar seus esforços para o atendimento à comunidade, o desenvolvimento de pesquisas e a formação de novos profissionais.
Autonomia e saúde para as mulheres
O projeto surgiu em meados de 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando a circulação de informações incorretas sobre saúde nas redes sociais chamou a atenção da equipe. Por isso, um dos principais eixos do trabalho é a literacia em saúde. Como explica a coordenadora do projeto e professora do Departamento de Medicina e Enfermagem da UFV, Lílian Ayres, o objetivo é “traduzir o conhecimento científico, que tem uma linguagem mais técnica, para a população em geral”.
Inicialmente, as atividades eram voltadas ao combate à desinformação e à garantia do acesso a evidências científicas confiáveis sobre seus próprios corpos, por meio de conteúdos publicados nas redes sociais. Desde então, segundo a Prof.ª Lílian, esse propósito continua sendo um dos pilares da iniciativa.

Prof.ª Lílian Ayres | Coordenadora do Projeto Saúde da Mulher
“Um dos objetivos da produção desse conteúdo era justamente dar mais autonomia para as mulheres. Hoje a gente observa que as mulheres estão buscando outras narrativas. Elas estão buscando o autoconhecimento para ter mais qualidade de vida. Então, a partir do momento em que a gente produz informações seguras, de qualidade, baseadas em evidências científicas, que estimulem cada vez mais práticas de autocuidado, isso vai permitir outras narrativas, mais qualidade de vida e, sobretudo, autonomia na história de vida de cada uma”.
Atualmente, o projeto publica conteúdos educativos nas redes sociais sobre temas como ciclo menstrual, menopausa, planejamento reprodutivo, direitos sexuais e reprodutivos, infecções sexualmente transmissíveis e outros temas relacionados à saúde de pessoas com útero. Para conhecer mais do trabalho, acesse o perfil @psm.ufv no Instagram.
Atendimento integral e humanizado
Ao longo dos anos, o PSM expandiu sua atuação. Além da produção de conteúdo, passou a oferecer atendimentos presenciais na Divisão de Saúde da UFV e consultas virtuais gratuitas para pessoas de diferentes regiões do Brasil e até do exterior.
Para isso, a equipe desenvolve um plano de cuidado individualizado. Além dos aspectos físicos, o atendimento considera fatores emocionais, hábitos de vida, qualidade do sono, alimentação, atividade física, controle do estresse e rede de apoio.
“Porque quando a gente olha para as pessoas que têm útero, a gente acha que são só hormônios, mas, na verdade, a gente vai muito além. Aqui elas se sentem enxergadas, acolhidas e reconhecidas.” destaca a Prof.ª Lílian
Planejamento e direitos reprodutivos
Como já mencionado, um dos principais objetivos do projeto é garantir que as mulheres tenham autonomia sobre suas vidas. Por isso, uma das ações trabalhadas é o planejamento reprodutivo.
Primeiramente, a equipe realiza uma avaliação completa e apresenta todas as opções disponíveis. Em seguida, constrói a decisão junto à paciente, respeitando suas necessidades, preferências e condições de saúde.
Entre os métodos oferecidos estão o DIU de cobre, implantes contraceptivos, preservativos, anticoncepcionais orais, injetáveis e métodos baseados na percepção da fertilidade. Além disso, o PSM facilita o acesso aos métodos contraceptivos de longa duração (LARC) para estudantes do alojamento feminino da UFV. A ação é realizada em parceria com o projeto Saúde nas Moradias.
Para a estudante de Enfermagem e bolsista do projeto, Maria Rita Guedes, essa atuação é transformadora:

Maria Rita Guedes | Estudante de Enfermagem e bolsista do PSM – UFV
“A saúde da mulher é uma área na qual eu vejo muita potência para a enfermagem. A gente consegue muita autonomia e tem muito respaldo nas nossas práticas. Eu sou muito feliz e estar no projeto, para mim, é a realização disso”, afirma a estudante.
Ensino, pesquisa e extensão conectados
O Projeto Saúde da Mulher também funciona como espaço de formação para estudantes do curso de Enfermagem da UFV. Nesse contexto, as atividades práticas das disciplinas acontecem junto às ações do projeto. Assim, os estudantes desenvolvem competências técnicas e ampliam sua compreensão sobre o cuidado integral em saúde. Maria afirma que encontrou no Projeto Saúde da Mulher a confirmação da carreira que deseja seguir.
“Estar no projeto me faz muito feliz enquanto estudante de Enfermagem. Toda vez que saio daqui, tenho a certeza de que esse é o meu lugar. É um projeto que fortalece minha formação e me permite contribuir com a população.”
Paralelamente, a equipe desenvolve pesquisas científicas que contribuem para as atividades de extensão. Entre elas, estão estudos realizados estão pesquisas sobre métodos baseados na percepção da fertilidade e novos projetos que avaliam a satisfação e a continuidade do uso de métodos contraceptivos de longa duração. Segundo Lílian, essa integração fortalece tanto a formação dos futuros profissionais quanto a qualidade da assistência prestada.
“Os estudantes conseguem perceber a autonomia do enfermeiro na área da saúde da mulher. Eles saem daqui felizes, enriquecidos e entendendo a importância desse cuidado.”
Educação em saúde chega às escolas e à comunidade
O impacto do projeto ultrapassa os limites da universidade. A equipe realiza ações educativas em escolas municipais e estaduais de Viçosa, principalmente sobre dignidade menstrual. Além disso, conforme a demanda de cada instituição, também aborda temas como planejamento reprodutivo e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.
Ademais, o Projeto Saúde da Mulher prepara o lançamento de um livro gratuito sobre saúde da mulher, reunindo informações baseadas em evidências científicas para ampliar o acesso da população ao conhecimento. Para a estudante de Enfermagem Maria, bolsista do projeto, todas essas iniciativas têm um objetivo em comum: fortalecer a autonomia das pessoas atendidas.
“A gente faz a consulta junto com a paciente. Não queremos apenas dizer o que ela deve fazer. Queremos que ela participe desse processo. As nossas atividades, os conteúdos e as consultas têm esse olhar de construir autonomia.”
O papel estratégico da Funarbe
Para que a professora Lílian possa focar no ensino, na extensão e na pesquisa, a Funarbe desempenha um papel essencial na gestão financeira do projeto. Segundo a coordenadora, o apoio da fundação é fundamental para consolidar o projeto:
“A Funarbe faz a gestão financeira… e isso é muito importante porque aí eu não preciso, enquanto professora, me preocupar com isso. Ela tem sido essencial para a gestão dos recursos”, explica Lílian.
Ao conectar ciência, formação acadêmica e atendimento humanizado, o Projeto Saúde da Mulher demonstra como a gestão eficiente dos recursos potencializa iniciativas que geram benefícios concretos para a universidade e para a sociedade.
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